Pode me chamar de Nadí

Filme de curta-metragem sobre uma menina que, num determinado dia, supera o racismo. Baseado em fatos reais.
Escrito e dirigido por Déo Cardoso; Produção de Tamylka Viana. Estrelando Nadiézia Apolinário (Nadí), Laila Pires (Laila) e Rodger Rogério (Tapioqueiro).

Raça, Gênero e Desigualdades

ESTRATIFICAÇÃO: existe quando há diferenciação, hierarquização ou desigualdade de qualquer natureza dentro de uma sociedade. Exemplos: sistema indiano tradicional de castas, modelo estatamental da sociedade européia medieval no Antigo Regime. A pessoa nasce de uma determinada forma e não há como mudar.

Com a Revolução Francesa, em 1789, a ordem do Antigo Regime foi abolida para que se instituísse uma nova: a ordem capitalista ou burguesa. Nasce aí a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz que "todas as pessoas são livres e iguais por direito". Todo ser humano pode alcançar melhores posições sociais. Sociedade muito bem estruturada: cada um sabe o seu lugar. 

A burguesia surge reivindicando uma nova ordem econômica: o capitalismo. Nos libertamos, portanto, das desigualdades jurídicas, mas não das desigualdades sociais.

As duas variáveis de maior poder explicativo para o entendimento das desigualdades no Brasil contemporâneo: as de gênero e as raciais.

Características como cor da pele ou raça, sexualidade e sexo funcionam como mecanismos de segregação e estratificação social, deixando de lado todas as características "objetivas" que deveriam informar uma sociedade de princípios igualitários e meritocráticos.

ESTEREÓTIPOS: podem ser vistos como componentes cognitivos de uma atitude: o preconceito. Os estereótipos formam a base do preconceito em relação a um indivíduo ou a um grupo. Os estereótipos construídos acerca dos grupos sociais que compõem a sociedade, abrangendo sexo, orientação sexual, cor/raça, classe, entre outros, tornaram-se características definidoras de lugares na sociedade - lugar social, econômico, simbólico. Os estereótipos definem seu lugar na sociedade, em todas as áreas e todos os sentidos.

Preconceito, discriminação e desigualdades entrelaçam-se. Preconceito e discriminação são mecanismos que contribuem para a produção e a manutenção das desigualdades raciais e da estratificação social.

Pisa Ligeiro

“Pisa ligeiro/ Pisa ligeiro/ Quem não pode com formiga/ não assanha o formigueiro”. A música é cantada durante o que deve ter sido o último trecho filmado do documentário, em maio de 2003. Em Pesqueira, Pernambuco, os Xucuru cantam enquanto homenageiam o Cacique Chicão, na passagem do décimo aniversário de seu assassinato. Nos depoimentos que vão de 1999 a 2003, sendo que a maioria tomada Brasil afora ao longo de 2002, não é a única morte recordada. Ou anunciada.

Ao longo do vídeo, rostos que lembram os índios dos livros de História do Brasil, rostos essencialmente negros, rostos predominantemente andinos falam de derrotas e conquistas. Denunciam que, 15 anos antes, a questão indígena era considerada algo que se resolveria com o tempo, até que todos sumissem. Narram orgulhosos como, em lugar disso, esses 15 anos serviram para que não só crescessem em número, como se tornassem atores políticos no cenário brasileiro. Afirmam, conscientes de seu papel, que ONGs, academias e governos podem estar ao lado deles; jamais falar por eles. Misturam revolta, indignação e esperança em sua falas e atos, na expectativa de que em breve os territórios ainda em litígio estivesse demarcados e garantidos.

Infelizmente sabemos que isso está hoje talvez mais longe de se tornar realidade que em 2002.

Produção do LACED junto à COIAB, APOINME, CIR, CGTT, CIVAJA, FOIRN, CUNPIR e UNI-ACRE, “Pisa ligeiro” teve direção de Bruno Pacheco de Oliveira e roteiro de João Pacheco de Oliveira. É sem dúvida um documento histórico, rico e amorosamente realizado, fundamental para quem se interessa pela luta dos Povos Indígenas.

Fonte: http://racismoambiental.net.br